nicolau não miava muito e, três pratos de ração depois, deitou quase morto, com as patinhas molengas e a boca meio aberta. cecília estava retocando o vermelho do cabelo e achava graça na ganância do gato - continuava alimentando-o compulsivamente, mesmo que depois ele cuspisse tudo de volta (imaginava se era possível um animal de estimação bulímico). olhava para as roupas espalhadas pelo chão, cobrindo o abajur, penduradas na cadeira; sua mãe com cara de reprovação.
ela guardava uma gravura imantada na porta da geladeira que representasse o negro dos seus olhos, mas, sabe, já era dia vinte e era melhor se tentasse meditação indiana (não conseguia pensar em nada e já tinha se perguntado a razão da distração com a pintura das unhas, o feitio das sobrancelhas, se no final não a fazia mais bonita).
talvez aquilo de não acordar sem motivos fosse até bom, mas, primeiro, cecília com cara de lua mastigou um pacote inteiro de negresco acompanhado de leite desnatado (como é que alguém troca isso por leite de soja ? água por água, prefiro a da vaca), refestelou-se ao lado de nicolás falando francês e dormiu.
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3 comentários:
laura, como você muda de endereço e não avisa?
Mie mia gatta.
Enfim novamente!
Ainda prefiro tigres.
Muito bonito! Visceral porém de bom gosto! Adorei!
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